24% dos filiados de JF abandonam os partidos
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Ricardo Miranda
Repórter
Levantamento referente ao número de filiados a partidos políticos feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz um alerta à classe política local: o juizforano está perdendo o gosto pela vida partidária. As 28 siglas com representação no município registraram uma redução média de 24% no número de seus filiados nos últimos meses. O PMDB foi quem mais perdeu adeptos, caindo de 3.026 para 1.746 filiações. Em segundo lugar, ficou o PTB que, mesmo estando à frente da PJF, contabilizou 1.134 integrantes a menos. Ao todo, 7.272 eleitores juizforanos deixaram a vida partidária (ver quadro). Para especialistas, o fenômeno das desfiliações não se restringe a Juiz de Fora e nem ao Brasil. “A frustração com os partidos políticos acontece no mundo todo. A questão da representatividade deve ser repensada”, explica o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Lúcio Rennó.
Algumas circunstâncias atuais da política brasileira, como os mensalões e seus congêneres, também carregam uma parcela de culpa pela apatia dos eleitores em relação às legendas, segundo Rennó. “Os recentes escândalos de corrupção do Governo (federal) jogaram todos os partidos numa mesma vala. A descrença agora é generalizada”. Por outro lado, ele argumenta que as siglas mais à esquerda, embora permaneçam distantes de tais mazelas, não conseguem atrair os descontentes. “Nessas agremiações, o radicalismo acaba se tornando uma barreira”. O professor chama atenção, ainda, para o fato de que, em Juiz de Fora, nenhum partido, nem mesmo aqueles com representantes nos governos municipal (PTB), estadual (PSDB) e federal (PT), registrou aumento de filiações. “A lógica de que os partidos no poder ganham força não foi aplicada. Isso evidencia ainda mais a crise de credibilidade dos partidos”.
Um dos problemas decorrentes desse desencantamento do eleitor em relação às legendas, na avaliação do professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Figueira Leal, é o desestímulo à transformação da sociedade pela via política. “Há um prejuízo imenso para a democracia quando os cidadãos passam a não confiar mais nas suas instituições”. Ele lembra que já há algum tempo a Câmara, o Senado, as assembléias e os próprios partidos são avaliados sempre de forma negativa pela opinião pública. “Essa imagem que vem sendo forjada acaba afastando as pessoas da vida política”. O professor cita como exemplo o visível envelhecimento dos quadros partidários. “Alguns jovens ainda estão procurando os partidos, mas nada que se compare ao fervor político da juventude de algumas décadas atrás”.
Desafio
Tanto Paulo Roberto quanto Lúcio Rennó concordam que a saída para a crise dos partidos passa por mudanças na legislação e, o mais importante, no comportamento dos políticos. “Se o cidadão começar a ver resultados práticos na sua vida a partir da intervenção política, ele vai recuperar o interesse pelas instituições políticas”, argumenta o professor da UFJF. O problema, segundo ele, é que o caminho trilhado até agora aponta para um aprofundamento do desencanto e da descrença. “O número de eleitores com alguma identificação partidária, incluindo aqueles não-filiados, também está caindo. Convencer o eleitor do contrário, da importância da vivência política partidária, será um grande desafio”.
Ainda segundo Paulo Roberto, a questão da representatividade como é feita hoje também começa a ser questionada. “As pessoas estão, cada vez mais, debatendo os grandes temas fora do ambiente político”. O problema dessa tendência, alerta o professor, é que cada cidadão acaba priorizando apenas suas questões particulares em detrimento do social.
O PTB que elegeu o prefeito Alberto Bejani na disputa de 2004 contava com 3.260 filiados, neste ano terá apenas 1.746
O PMDB, por exemplo, que na disputa de 2004 contava com 3.260 filiados, neste ano terá apenas 1.746.
O PDT tinha 3.908 hoje 3.133 filiados
PSDB menos 339 integrantesfonte: www.tribunademinas.com.br em 23/03/2008
Saldo positivo só atinge nanicos, PCdoB e PPS